Sob a lua vermelha de novembro...

Quando tudo isso começou? Quando as engrenagens do destino começaram a girar? Talvez seja impossível achar a resposta agora, profunda no fluir do tempo...

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Local: Belo Horizonte, MG, Brazil

Eu? Apenas mais um andante solitário...mas todos os andantes tem uma ou outra lição a passar devida à sua intimidade com a estrada. A estrada é sábia. Embora seja certo que o caminho ainda segue muito à frente... quantas lições nos esperam?

sexta-feira, maio 24, 2013

Esgrima

















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I
Perdida em meio à névoa, a trilha
sob o desfiladeiro segue infinita
– um caminho sem respostas,
sem certezas, dentro ou fora.

II
Um tinir de ferros ressoa,
desperta uma chama em mim;
da escuridão uma resposta ecoa
de um sonho sepultado ali.

III
Treinando firme, dia a dia,
desprezando suor e cansaço
até que me torne qual dardo,
retesado, no arco da vida.

IV
Sonhos efêmeros vagalumeiam;
no punho a espada, meu lastro
- um universo contido de anseios
permeiam a frieza do aço.

V
A mão que treme, o pé que hesita
de nada serve o suor gasto
se minha mente, não mais minha
se rende prévia ao assalto.

 VI
O corpo em rocha, a mente um lago
que, quer lute com mestre ou novato,
sob finta, a fundo, flecha ou salto
permanecerá sempre calmo.

VII
Meu corpo, em guarda;
meu espírito, em riste;
Todo o meu ser reside
no limiar do fio da espada.

VIII
Um olhar profundo, qual Lince
um ataque veloz e não dúbio;
Escarlate minha lâmina tinge
e lento escorre, em veio rubro.

IX
 Dissipado o medo,
o horizonte me espera;
Ardente, somente um desejo:
o sumo ápice de toda a Terra.

X
A cada fugaz vitória e glória,
um presságio futuro de derrota;
Nesse palco, todo vulto dança e some
num bailar de pés errantes.

XI
Que é do amargo e doce?
- resquícios de uma mente vã;
As sombras que duelo hoje
já não serão as de amanhã.

XII
É, pois, viver lutar?
Dúvida em mim:
 avançar ou recuar
– e com que fim?

XIII
O quê, de fato, importa?
A vida segue curta, frágil, torta.
Então adeus futuro, adeus memória,
só minha lâmina gravará minha história.

XIV
Um novo dia, novo assalto,
e as ilusões ao lado: o bem, o mal;
mas quando a ponta acerta o alvo
sinto um fugaz sopro do real...

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