Sob a lua vermelha de novembro...

Quando tudo isso começou? Quando as engrenagens do destino começaram a girar? Talvez seja impossível achar a resposta agora, profunda no fluir do tempo...

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Eu? Apenas mais um andante solitário...mas todos os andantes tem uma ou outra lição a passar devida à sua intimidade com a estrada. A estrada é sábia. Embora seja certo que o caminho ainda segue muito à frente... quantas lições nos esperam?

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

De Eregion e dos Anéis de Poder

[Feito no final da quarta era]




I

Ouve, meu filho, ouve este conto meu;
Te conto uma história que sucedeu
num passado antigo, e num sonho meu...

Ainda existiam elfos, e anões, e o escuro,
que, até hoje, ainda permanece em tudo...

E os reinos...os reinos, meu filho!
Tantos haviam, de tantos tipos!
Ora d’ouro, ora prata...quão ricos!

II

E, no cerne de grandes montanhas,
vi pétreos pilares sem conta;
Vi força; e uma brasa em sombras...

O ferro, o bronze lá se forjava,
e o machado, e o fio da espada;

Eis Moria, ancestral morada,
ou Hadrodhond, Khazad-Dûn anã;
Eis as jazidas...da real prata....

III


Voavam labaredas soltas no ar;
Martelos soavam em férreo tinir;
Um reino élfico longe do mar:
Além de Moria, jazia Azevim...

Azevim, Eregion de tantos contos!
Em memória, serás sempre um sonho,
e em verso, terás sempre encanto...

Lá estava o neto do ígneo espírito,
lá morava de Celebrimbor a forja;
um Mestre artífice, um noldor vivo,
senhor versado n’arte de criar jóias...

IV

Naquele tempo, e não mais,
elfos e anões ali viviam;
Lado a lado, em plena paz
mesclando aquilo que sabiam

De Ost-in-Edhil aos portões de Moria,
grandiosa, uma estrada havia,
um comércio farto na rota rica.

Não só de produtos intercâmbio havia,
mas também habilidade; os ferreiros
de Azevim se superaram em perícia,
como nunca dantes n’outro reino

V

Dos noldorin que inda haviam,
(ah, os fortes, bravos remanescentes!)
em Azevim muitos se reuniam,
num só coração, numa forja ardente,
pulsante, enquanto sombras caíam...

Havia também Gil-Galad, um elfo-rei,
de Lindon senhor, nos Portos sua casa;
Elrond meio-elfo, outro Grande que sei,
também fizera dali sua morada.

A oeste, numenoriana ilha,
da face a frente para Aman;
Seu suspiro já se ouvia,
lamentos impuros da vida vã;
“Que era a morte, e a que vinha?”

VI

Segunda Era, as sombras se adensavam;
Do leste, frio e peste, e um vento de morte
turvava olho e mente; os corações pesavam.
Envenenada a água; trevoso o céu, o bosque,
no qual, maléficos, mil olhos espreitavam.

Na terra negra, negro poder se assomava
em maldade, em crueldade e sutileza;
Eco restante de uma mortal era passada,
e de uma memória escura, no escuro presa.

Em Mordor, onde deitam-se sombras,
surgiu um trono numa torre negra;
Aí veio o terror, e fátuas lembranças:
Chamaram-no Sauron, cruel alteza
de Mordor, onde se deitam sombras...

VII

Ora, Sauron, o Maia, grandemente poderoso
em Arda, e de mais vassalos fortes desejoso,
se embrenhou entre homens, e viu grande fraqueza,
eram de fácil influência e perversão certeira.

Não estava ele, contudo, de fraqueza cobiçoso:
Era dos elfos que a adesão queria, pois assim sabia:
desde o Início era o Primogênito o poderoso,
e mesmo o mundo velho, muito poder ainda havia
em sua mente, em suas artes e em seu imortal corpo.

Sendo assim, por suas artes, se prontamente disfarçou
como Annatar, nobre Senhor, e entre elfos se firmou;
Em Lindon, rei Gil-Galad, inseguro, não pois o aceitava,
mas, em Eregion, lhe saudavam os elfos a chegada....

VIII

Assim, em Azevim, Sauron muito os ensinou,
pois saber detinha, e era sim um Maia ainda;
Nessa época, sua arte enfim ao ápice galgou:
na confecção de jóias, só Fëanor acima vinha.

Os elfos, então, em seu auge refletiram,
e sua mente trouxe um supremo pensamento:
Porque não, com a habilidade que sabiam,
criar anéis que abrir pudessem novo tempo?
Com essa grande meta, muitos olhos luziam...

Assim começou dos Grandes anéis a Forjadura,
até ficou o céu co'o fogo mais ardente;
Muitos anéis eles fizeram, todos com bravura,
e suas obras olhavam e exultavam de contentes.

IX

Sauron, entretanto, a par de seu esforço estava,
e era uma obrigação impor aos elfos sua idéia;
Em segredo, porém, já malignidade planejava...

Então, numa montanha, Um anel foi forjado, na terra da sombra;
e a cantiga que foi aí escrita duraria anos sem conta:
“Um anel para a todos governar, Um anel para encontrá-los,
Um anel para a todos trazer, e na escuridão aprisioná-los”

Os elfos, contudo, se aperceberam da cilada,
e os anéis todos os recolheram bem depressa;
e esconderam; Não, ali Sauron não teria sua paga!

X

Sauron então atacou, com já grande fúria acesa:
“Eis que aqui trago guerra, e os anéis eu ordeno
se não forem entregues, cairá Azevim com certeza”

Mas os elfos partiram; Sim, fugiram correndo,
e três anéis salvaram, três imaculados;
Foi aqui Celebrimbor assassinado,
e Azevim esfarelada em pó ao vento...

Fundada foi então uma fortaleza,
um refúgio contra os males do tempo:
A Imladris élfica, por Elrond feita.

XI

E assim foi cumprida a lenda cantada:
“Três anéis para os reis-elfos sob este céu”:

Sob estrelada Imladris, portava Elrond safiroso anel;
Nos jardins de Lórien, u’a diamantina estrela brilhava;
E, em marinho abrigo, poderosa flama jazia oculta...

Três jóias, três forças dotadas da magia mais pura,
que as luas vencia, contra o negror que avizinhava...

XII

Muito após, de Númenor a ilha já tragada,
volveu Sauron à negra terra, e planejou batalha;

Houve então guerra, foi Sauron derrotado,
assim como o foi Gil-Galad e outros Bravos;
Foi a era segunda finda, e o Um... extraviado.....

Ouve, filho... este conto que sucedeu
num passado antigo... e num sonho meu....


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(Autor: Bruno Neves Oliveira)

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Ode à Grande Deusa

a mãe do universo...





I

Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que, negro, o sol não me ilumine;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que não seja digno para servir-te;
Ainda que não tenha a ígnea arma em riste;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que sob lua alta, em noites ouvires
os cânticos lamentosos de mil vultos tristes;
Ainda que densa névoa o dia a não dissipe;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que a abundante água do orvalho
seja como minhas lágrimas regando o prado;
Ainda que, além dos picos, o céu opaco
desvele-me um horizonte vil congelado;
Faz, Mãe, faz teu amor meu cajado!

Ainda que de tua paz tenha-me apartado;
Ainda que tenha a cruz que levar solitário;
Ainda que, lançado à treva desnudado,
vague em pesadelos de tempos passados
enquanto a morte me guarda seu leito pálido;
Faz, Mãe, faz teu amor meu cajado!

II

Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, atende a meu chamado!
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, quer n’oceano dourado
me ache, ou sob céus perolados;
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem! Quer no campo ou descampado
esteja, ou sob pés de carvalhos,
sob bruma fria ou sob vento árido;
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, e traz contigo uma magia
de completa paz, de harmonia,
a tremeluzir nas melodias
dos sussurros das matas vivas;
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!

Vem, traz a mim a aurora do dia,
a nascente do cálido guia;
Faz a esperança não mais sofrida,
e nas flores espinhos sem ira;
Faz-me rosa, no jardim da vida!
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!

Vem, adorada e doce mãe minha,
torne-me a tinta de teu quadro;
um pingo, um brilhante traço
na senda das mil faces sombrias.
E, no luzir do áureo bálsamo,
morra, e renasça ao seu lado,
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!



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(Autor: Bruno Neves Oliveira)