Sob a lua vermelha de novembro...

Quando tudo isso começou? Quando as engrenagens do destino começaram a girar? Talvez seja impossível achar a resposta agora, profunda no fluir do tempo...

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Eu? Apenas mais um andante solitário...mas todos os andantes tem uma ou outra lição a passar devida à sua intimidade com a estrada. A estrada é sábia. Embora seja certo que o caminho ainda segue muito à frente... quantas lições nos esperam?

domingo, fevereiro 12, 2006

Sob as cerejas...




- Uma Homenagem ao Renato -

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I

Da janela a lua
– invade a cama,
encobre a rua –
me clama e chama;

Agarra, arranca
– suave lembrança –
o que é seu: a sombra.

E, quando me for
ao azul profundo
deixarei de ser ator,
mas não deixarei o mundo...

Deslizarei no tempo;
Nas neblinas do sonho
e do esquecimento...

Mas percorrerei as flâmulas
– de Brunei à Gana! –
e vencerei montanhas
– para onde o sol se lança! –

E um dia, em sombra,
sob os véus dos mundos,
caçarei aromas...

Às cerejeiras ocultas
[do amor] visitarei;
À magia e à loucura
[do amor] recorrerei;

Ofertarei minha dor
e lançarei minha prece
ao despertar do amor...

Assim, com o rodar das eras,
ainda que meu coração
caia em cem mil pedras,
as cerdas do amor restarão...

II



II

E, talvez um dia
– quando noturnas
cerejeiras florirem –
possa te encontrar;

Não importa a vida;
Viver nos declives
ou à beira do mar...

Nos jardins de nuvens,
[lá te esperarei]
o coração a vibrar;
[estarás lá?]

Tanto te amaria,
mas pediria um beijo,
e nada mais...

E quando enfim chegasse
o amar por amar
eis que as nuvens se foram
e a lua está lá;

Estou à janela;
tua sombra voltaste
ao teu corpo na terra...

Já valeria uma vida
para te alcançar;
Ainda que viva
só pra te achar;

E às luas cheias
lembro de ti;
[lembras de mim?]

E, se aquela noite,
se te encontraria,
sob as cerejas,
num sonho ao luar...


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(Autor: Bruno Neves Oliveira)