Sob a lua vermelha de novembro...

Quando tudo isso começou? Quando as engrenagens do destino começaram a girar? Talvez seja impossível achar a resposta agora, profunda no fluir do tempo...

Minha foto
Nome:
Local: Belo Horizonte, MG, Brazil

Eu? Apenas mais um andante solitário...mas todos os andantes tem uma ou outra lição a passar devida à sua intimidade com a estrada. A estrada é sábia. Embora seja certo que o caminho ainda segue muito à frente... quantas lições nos esperam?

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

Ode à Grande Deusa

a mãe do universo...





I

Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que, negro, o sol não me ilumine;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que não seja digno para servir-te;
Ainda que não tenha a ígnea arma em riste;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que sob lua alta, em noites ouvires
os cânticos lamentosos de mil vultos tristes;
Ainda que densa névoa o dia a não dissipe;
Faz, Mãe, faz com que minha luz brilhe!

Ainda que a abundante água do orvalho
seja como minhas lágrimas regando o prado;
Ainda que, além dos picos, o céu opaco
desvele-me um horizonte vil congelado;
Faz, Mãe, faz teu amor meu cajado!

Ainda que de tua paz tenha-me apartado;
Ainda que tenha a cruz que levar solitário;
Ainda que, lançado à treva desnudado,
vague em pesadelos de tempos passados
enquanto a morte me guarda seu leito pálido;
Faz, Mãe, faz teu amor meu cajado!

II

Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, atende a meu chamado!
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, quer n’oceano dourado
me ache, ou sob céus perolados;
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem! Quer no campo ou descampado
esteja, ou sob pés de carvalhos,
sob bruma fria ou sob vento árido;
Ó Deusa, de teu filho ergue o serpe raio!

Vem, e traz contigo uma magia
de completa paz, de harmonia,
a tremeluzir nas melodias
dos sussurros das matas vivas;
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!

Vem, traz a mim a aurora do dia,
a nascente do cálido guia;
Faz a esperança não mais sofrida,
e nas flores espinhos sem ira;
Faz-me rosa, no jardim da vida!
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!

Vem, adorada e doce mãe minha,
torne-me a tinta de teu quadro;
um pingo, um brilhante traço
na senda das mil faces sombrias.
E, no luzir do áureo bálsamo,
morra, e renasça ao seu lado,
Ó Ísis, ó Lakshmi, ó Minerva, ó Maria!



________________

(Autor: Bruno Neves Oliveira)

2 Comments:

Blogger Old Boy said...

Muito lindo o poema
fica ate dificil comentar!
um abraço

4:56 PM  
Anonymous Anônimo said...

Como disse a pessoa acima,
realmente sem comentários!
Está divino!

Abraços,

Samuel

12:13 AM  

Postar um comentário

<< Home